sábado, novembro 18, 2006

Capítulo 8


Uluro Kattjuta – As linhas do Cântico
(Por favor, veja estas lindas imagens de Uluro)

A energia umbilical do Lago Titicaca atravessa o oceano e se dirige ao Uluro Kattjuta, na Austrália. Este é o chacra do Plexo Solar. O chacra Manipura de nosso Planeta azul, belo, orgânico e vivo. Em termos geológicos, Uluro é o maior monolito do mundo. Um gigantesco bloco de arenito rico em feldspar que se ergue imponentemente sobre o deserto australiano atingindo uma altura de 318 metros com uma circunferência de oito quilômetros. A formação de Uluro data de pelo menos 300 milhões de anos. É como se a natureza tivesse deixado cair ali a gigantesca pedra no meio da planície desértica em tempos primordiais. Uluro é um centro magnético de irradiação de energias terrestres e cósmicas.

A palavra “Uluro” significa “Lugar de Encontro”. E é o que a “pedra” tem sido desde tempos imemoriais. Primeiro, para todas as tribos nativas da Austrália e atualmente para membros de comunidades da nova mentalidade de todo o mundo. Aí se incluem também os milhares de turistas que a visitam todos os anos. Os ingleses deram à sagrada “rocha” o nome de Ayers Rock como maneira de homenagear ao governador colonial Henry Ayers, que dominava a região do atual estado da Austrália do Sul.E este é o nome que aparece nos catálogos dos operadores do turismo mundial. Mas aqui neste espaço o único nome aceitável é Uluro, um Lugar Sagrado de encontro que é também fonte de “Tjukurpa”. Tjukurpa é a energia imanente ali depositada no “tempo do Sonho” para os muitos povos da Austrália que receberam, dos europeus, o nome de “aborígenes” que significa apenas “nativos ou originários da terra”.

Os visitantes de Uluro se impressionam com as cores da rocha que vão do vermelho-terra, ao azul dependendo das condições climáticas e da hora do dia. Os aborígenes acreditam que a terra sob Uluro é oca e que dali sai a irradiação energética que eles batizaram de “tjukurpa” que ao pé da letra significa “tempo do sonho”. Todos os eventos que tiveram lugar na época da formação de Uluro, ainda estão presentes nesta forma de energia.

Trinta quilômetros ao oeste do Sagrado Uluro há outras formações rochosas que a geografia descritiva e reducionista chama de Montanhas Olgas e que para os povos Anunga, Yankuntjatjara e Pitjantjatjara são chamadas de Kattjuta que significa cabeças. As duas formações Uluro e Kattjuta hoje formam um só Parque Nacional – uma espécie de continuação secular da tradição mundial de reconhecer Lugares Sagrados. E um fato interessante é que recentemente a Austrália passou toda a terra ao redor do Uluro, inclusive o Parque Nacional Uluro Kattjuta, para a administração dos povos nativos da região. Um exemplo importante de um dos países que mais atentou contra os direitos dos povos da terra – os povos que já habitavam a terra antes da origem da nação australiana. Um bom exemplo a ser seguido no Brasil e nas Américas, em geral, onde parques nacionais normalmente excluem os povos nativos e os habitantes da região. O fundamento desta tendência é unicamente um preconceito histórico e lamentável.


Assim como as Sagradas Cataratas do Iguaçu são um livro aberto para a “Boa Lembrança” dos guaranis; o Lago Titicaca é um livro aberto para a “lembrança” da formação da raça humana e da “promessa” de um ressurgir dos incas e aimarás, o Uluro Kattjuta é a prova real do “tempo do sonho” o tempo em tudo se formou. A partir de Uluro e Kattjuta se estendem as “linhas do canto” ou do hino do tempo do sonho. Tais linhas partem de Uluro e se multiplicam cobrindo todo o território da Austrália atual. Cada rocha, cada árvore, cada caverna tem sua explicação em algum fato que ocorreu no “Tempo do Sonho”.

É aqui em Uluro e Kattjuta que as energias sutis do tempo do sonho ajudam as energias do Titicaca e do Monte Shasta a continuarem a sua circulação global – quer dizer circulação no corpo de Gaia – a Terra. Os povos da Austrália que prezam o Uluro e o Kattjuta quase foram dizimados. Mas as mensagens contidas em Tjukurpa estão por toda parte. O tempo do sonho pertence ao passado mas é a religião do presente. Religião no sentido de “religar”, no presente, o “ananga” às suas origens cósmicas e universais. É esta visão de tempo continuado no espaço que a civilização ocidental perdeu.

Capítulo 9


Gastonbury – A mensagem de Avalon
A “Tor” Colina Sagrada de Glastonbury. Foto do Crystal Links



As energias do plexo solar de Uluro Kattjuta são empurradas, através dos oceanos para Glastonbury e Saftesbury na atual Inglaterra – o chacra Anahata, ou o chacra cardíaco do Planeta. Glastonbury e Saftesbury são Lugares Sagrados poderosamente associados às Lendas Arturianas. Às lendas da Busca do Cálice Sagrado. As Lendas de Avalon. Este é um chacra do Planeta formado pela produção cultural, pelo intelecto, pelo processo mental. As Lendas Arturianas são um conjunto de histórias que aparecem pela primeira vez no “Gododdin”, poema galês do ano 600 da era cristã. Desde então as Lendas vem crescendo com o trabalho de grande número de escritores entre eles Geoffrey de Monmouth (1135), Chrétien de Troyes (1170), Gottfried von Strassburg e muitos outros, até nossa época. O trabalho mais recente (1982) foram as obras de Marion Zimmer Bradley, “As Brumas de Avalon”.

Todas as histórias ligadas às Lendas Arturianas são interpretadas hoje como simbologias poderosas que nos remetem ao nosso interior. Glastonbury é hoje uma cidade de 9 mil habitantes na região de Sommerset, Inglaterra e está em terra firme. Na época da lenda, Glastonbury estava em uma ilha, a Ilha de Avalon, encoberta pelas neblinas de um lago sagrado onde vivia a Senhora do Lago – sacerdotisa dos antigos costumes. Hoje milhões de pessoas de todo mundo, visitam a pequena Glastonbury para sentir e experimentar a magia das energias da região. Sentir um “algo especial”, segundo os habitantes. A cidade já foi um centro megalítico, um Lugar da Deusa, uma escola da tradição druida e sua abadia (um monastério administrado por uma abade) tem sido um lugar de peregrinação há vários séculos. No topo da colina chamada de Tor, existe as ruínas da Abadia que, se acredita, foi construída por José de Arimatéia. Nos últimos anos, a cidade atrai ocultistas, esotéricos, místicos, terapeutas e artistas.

Na Lenda do Santo Graal ou Cálice Sagrado, Percival, o herói pergunta ao Rei Pescador ferido: o que lhe atormenta? O escritor e filósofo sul-africano Laurens van der Post vê nesta pergunta algo que se estende até nossos dias. O que atormenta a nossa civilização? O que me atormenta? O que atormenta o nosso país? E a resposta a esta pergunta só vem após uma busca pessoal pelo nosso Santo Graal individual, aquele que está perdido dentro de nós.

A busca deste Cálice Sagrado interior não deve acontecer segundo a maneira arcaica onde reis e cavaleiros lutam com espadas contra inimigos, resgatando pessoas. Para van der Post esta é uma busca daquelas “partes de nosso povo” que estão dentro de nós e que estão doentes. É resgatá-las e torná-las sadias. Tornar sadia é transformá-la em um todo. O mundo está doente devido à excessiva fragmentação. E buscar o todo é não deixar que as partes se transformem ou sejam vista como o todo. O que acontece em nossa civilização.

O cálice é um símbolo. Representa um grande receptáculo para o espírito. Nas lendas que se seguiram, a partir do século oito, se acrescentou que o Santo Graal teria sido usado por Cristo durante a última ceia e teria sido trazido para a Bretanha por José de Arimatéia. Mas no sentido de dicionário, o “graal” representa algo que se procura por um longo período de tempo.

Em entrevista com a escritora Nancy Ryley, van der Post disse que na Lenda do Graal, o rei estava doente e essa doença simbolizava a doença do espírito. Ao redor do palácio, a terra estava desolada. O que significa que a doença do rei estava sendo projetada para o mundo natural ao redor dele. Transpondo esta visão para o mundo atual, van der Post vê a terra sofrendo, porque, as feridas de nossa psique coletiva não estão sendo tratadas. É uma visão eco-psicológica de nossos problemas ambientais.

Este livro denuncia a nossa fragmentação. E a apresenta como uma de nossas doenças. Se somos fragmentados não somos completos – um todo. E se não somos um todo estamos doentes. Hoje, lamenta van der Post as pessoas já não têm um mito. E o espiritual ficou relegado. A religião atual se chama “razão”. É o novo Deus que tem um grande número de sacerdotes, uma hierarquia e se julga superior aos outros mitos que a humanidade teve. Por isso ele sugere que, pelo menos para o mundo de fala inglesa, o mito do Santo Graal é muito importante.

A região conhecida como Vale de Avalon é também conhecida como o Zodíaco de Glastonbury. É uma área onde, de acordo com a escritora Katherine Maltwood, se encontram representados os doze símbolos ou signos astrológicos. Ela batizou esta área como o “Templo das Estrelas”. Os signos se delineiam por formações da terra como riachos, trilhas e outras. O trabalho de Maltwood data de 1935. Estas visões de Glastonbury como um Lugar Sagrado, permeiam e influenciam a população da cidade e região. É uma cidade com sabor todo seu. Tem um ritmo de vida lento e descontraído, onde há um sentimento de que está acontecendo um processo de transformação pessoal.


Os poderosos mitos que circundam a Glastonbury que envolvem o Santo Graal, o Rei Artur, os Cavaleiros da Mesa Redonda se estendem e fazem contatos também com outros mitos poderosos que tem a ver com mundos subterrâneos, ciclos de pedras, perdas suspensas, labirintos e cavernas sagradas. Não muito longe de Glastonbury, se encontram as pedras de Stonehengue e em todo o território britânico se encontram mais de mil “ruínas” desses Lugares Sagrados.

Mas gostaríamos de encerrar este capítulo fazendo uma ligação com um assunto que só será discutido no capítulo 16. Quem era o Rei Artur? Ele existiu realmente? Onde morreu? As respostas a estas perguntas bem como tudo o que tem a ver com tais lendas são alvo de debates animados em diversos ciclos do conhecimento: literatura, história, mitologia, religião, esoterismo e até entre os militares. Mas só para anunciar o que vem pela frente basta relatar aqui algumas das crenças sobre o destino do Rei Artur.

Segundo estas crenças, Percival nunca registrou a morte do Rei. Desapareceram o cálice sagrado e a espada “excalibur”. Onde poderá estar a espada excalibur? Muita gente acredita que eccalibur foi levada para “Argatha”. O cálice sagrado ninguém sabe onde está. E Artur? Pode não ter morrido. Ele pode ter chegado ao mundo chamado “Argatha”. Um mundo subterrâneo habitado por pessoas de grande elevação espiritual. Um mundo subterrâneo que, igual a Avalon, se encontra em alguma dimensão da existência com a qual não temos condições de contatar.

Capítulo 10

A Grande Pirâmide de Khufu


A Grande Pirâmide é o Vishudda – o chacra laríngeo da Terra. O chacra que está ligado à expressão. Em português temos a expressão “tenho uma coisa entalada ou engasgada na garganta.” Esta expressão é muita sábia. Não deixa de ser um símbolo de uma terrível opressão que não nos deixa expressar, tirar de dentro alguma coisa. Neste mundo, todos temos algo entalado na garganta. A civilização inteira tem uma coisa atravessada na garganta e isto tem a ver com a impossibilidade de expressarmos nossa tristeza por ter perdido o nosso “poder pessoal”. A Grande Pirâmide é uma mensagem que está lá no Vishudda da Terra. Que mensagem a Pirâmide de Khufu quer passar? Já sabemos que os lugares sagrados são lembranças. Que lembrança é esta que a Pirâmide de Khufu nos quer fazer relembrar? Quem a construiu? Para quê?

Aprendemos, de passagem, na escola, revistas e documentários que as pirâmides foram construídas como mausoléus para enterrar os corpos de faraós com suas posses e tesouros. Isto é verdade para outras pirâmides que foram semeadas no Egito. Mas não a Grande Pirâmide. Até hoje nenhum túmulo ou corpo foi encontrado sepultado em seu interior. Estudiosos das pirâmides tanto cientistas como místicos – e em certas pessoas os dois, acreditam que a Grande Pirâmide foi a inspiração para todas as outras pirâmides. Isto é, já foram usadas como símbolo pelos faraós.

As tradições que consideram a Grande Pirâmide como um chacra do Planeta, acreditam que quem construiu a Pirâmide queria deixar uma mensagem duradoura. A importância da Pirâmide é realçada quando cientistas modernos que a visitam declaram que hoje, com a tecnologia disponível, não seria possível construí-la. Destacam que quem construiu a Grande Pirâmide tinha ferramentas avançadíssimas. Da lista das maravilhas arquitetônicas do mundo antigo, só sobrou a Grande Pirâmide, que merece, o título adicional de a “última e a única das sete antigas maravilhas” que ainda podem ser vistas.

Hoje não podemos ver os Jardins Suspensos de Babilônia, nem o Colosso de Rodes ou a Estátua de Zeus. O que faz deste lugar, um lugar sagrado são as energias antigas, o poder da Pirâmide e seu grande mistério. Estudiosos da pirâmide de todas as profissões afirmam que não existe tecnologia hoje para se construir uma réplica da Grande Pirâmide. O físico americano, John Zajac diz que a Pirâmide é 30 vezes maior que o edifício Empire State em Nova York. Alvarez Lopez em seu livro “O Enigma das Pirâmides diz:

“Em relação à produção de superfícies ópticas, [Petrie] pôde descobrir que os blocos de mármore do revestimento da Grande Pirâmide estavam “normalizados” de acordo com as mais precisas normas da indústria óptica moderna. Para dar uma idéia da magnitude desta tarefa tecnológica, bastará dizer que o trabalho óptico destes blocos de mármore de 16 toneladas cada um, representa uma façanha comparável – tecnicamente – ao polimento do famoso espelho do telescópio do Monte Palomar (EUA). Acredita-se que o revestimento completo constava de uns 25 mil blocos, o que equivale a dizer que os egípcios da IV Dinastia haviam conseguido a produção, em massa, do que a indústria moderna é somente capaz de produzir em escala artesanal.”

Os estudantes da pirâmide como Lugar Sagrado acreditam que a IV Dinastia tampouco tivesse essa tecnologia. A Grande Pirâmide foi construída por seres muito avançados. Quem sabe de outros planetas? São assuntos que não nos cabe abordar neste espaço limitado que será aproveitado para tornar conhecido a nossa “geografia sagrada”.

A verdade ou o mistério da Grande Pirâmide e das pirâmides em geral, incluindo as que estão nas Américas, da Bolívia ao México ainda está longe de nosso alcance. Mas uma das coisas que sim está dentro de nosso entendimento é o fato de que a Grande Pirâmide é a única das antigas maravilhas do mundo antigo que permanecem em pé e que podem ser vistas em nossos dias. Heródoto a viu por volta do ano 450 antes de Cristo, quando o Egito já era dominado pelos persas e já se dizia que ela tinha 2.500 anos. Napoleão também não só viu a Grande Pirâmide e as pirâmides em geral como pronunciou suas famosas palavras: “Soldados, do alto destas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam”.

Napoleão Bonapart não estava filosofando. Ele estava no comando de uma tropa de 35 mil soldados franceses que no dia 21 de julho de 1798, travou uma batalha feroz contra os soldados otomanos e mamelucos. O que as pirâmides viram, do alto de seus séculos, foi um exército europeu ser derrotado. “Os soldados passam, as pirâmides ficam”, alguém completou mais tarde. Mas embora derrotado, Napoleão acreditou ter dado sua contribuição ao mundo. Ele dera início ao campo de estudo batizado como egiptologia. Ele levava 500 artistas e literatos que sob suas ordens, produziram uma das maiores descrições do Egito. Uma obra repleta de desenhos e pinturas de coisas do Egito, das pirâmides, aos insetos e pássaros da Terra do Nilo.

Da lista das maravilhas arquitetônicas do mundo antigo, só sobrou a Grande Pirâmide, repetimos. A frase “o tempo passa e a pirâmide fica” é uma das que perseguem os visitantes. É um lugar majestoso que sobreviveu ao tempo, a crises sociais, políticas e aos desastres naturais. O que faz deste lugar sagrado são exatamente as energias antigas envoltas neste mistério profundo. “São tão importantes as pirâmides que podem ser vista da Lua, diz John Zajac – “É como se a mensagem fosse destinada também para fora da Terra”.

Capítulo 11

Kuh-e-Malek Siah – O misterioso

O pico Kuh-e-Malek Siah ou Koh-i-Malik Siah é o sexto chacra ou o chacra do terceiro olho. É o chacra Ajna do Planeta. Infelizmente este chacra do Planeta parece estar atormentado e talvez bloqueado pela atual conjetura política do mundo. Há um nó difícil de desatar ao redor deste Lugar Sagrado carregado de significados e interesses geográficos, políticos, espirituais, étnicos, militares e esotéricos. O Chacra Kuh-e-Malek Siah é um pico que não deve passar dos 1.700 metros de altura sobre o nível do mar em uma região conhecida como “Tríplice Fronteira” ou “Três Pontos” onde se encontram o Paquistão, o Irã e o Afeganistão. Há dificuldade de acesso à este lugar sagrado. Há problemas políticos, problemas militares, étnicos e geopolíticos (e problema de bom senso também).

Na comunidade mundial que estuda os Lugares Sagrados há pouca informação sobre o estado de coisas no Kuh-e-Malek. Há pouca documentação sobre ele até no nível escolar das coisas. Um relatório preparado pela CIA – o órgão de inteligência dos Estados Unidos, sugere que haja bombas atômicas ou armas de destruição em massa escondidas em cavernas no pé da montanha. O simples fato de ouvir frases como estas, já nos faz tremer e sofrer pelos imensos problemas enfrentados pelo chacra “Ajna” do Planeta Terra. Estará bloqueado o Terceiro Olho do Planeta? Explicaria isso a nossa patológica falta de visão planetária?

A região dos Três Pontos é também um lugar de problemas étnicos. Nos três lados da fronteira, a região é habitada por pessoas de língua e cultura baluchi por isso é chamado de Baluchistão. Mas a etnia baluchi está dividida entre três países cuja história é perturbada, desde tempos imemoriais por invasões de toda espécie de reinos, impérios e nações. A presente confusão é parte da herança do Império Britânico que dividiu povos e criou fronteiras artificiais. Os governos centrais do Irã, Afeganistão e Paquistão não gostam da presença de grupos comuns aos três países. Há sempre o medo de uma rebelião, criação de um novo país e outros medos que não é ambição deste livro tratar aqui.
Que grupo humano validou o pico Kuh-e-Malek Siah como um Luagra Sagrado. A resposta aponta para o zoroastrianismo – religião fundada pelo profeta persa Zoroastro ou Zarathustra. Uma das crenças associadas ao Pico-Kuh-e-Malek é que foi daqui que partiram os Três Reis Magos ou os Três Sábios do Oriente na expedição que os levou à Belém, onde Jesus foi encontrado, logo após seu nascimento em uma mangedora, com sua bela e divina mãe.
Os Três Sábios do Oriente foram guiados por uma estrela cuja história é narrada, de passagem, no novo testamento cristão. Com os altos e baixos da maré da cultura, da política e das correntes de invasões, o zoroastrianismo perdeu importância como uma grande religião. Mas não morreu.
Os seguidores de Zoroastro vivem na Índia, na Europa, Paquistão e Irã onde além do Kuh-e-Malek Siah existem outros lugares sagrados de peregrinação para os seguidores da fé de Zoroastro e peregrinos modernos de qualquer religião. Pelo menos seis desses lugares sagrados, se encontram dentro das fronteiras da República Islâmica do Irã – onde há convivência tranqüila e respeito entre os diversos povos das províncias centrais. Um bom exemplo e uma compensação pelos sofrimentos do Kuh-e-Malek. Queiram os espíritos protetores do mundo que o Kuh-e-Malek não seja alvo de bombardeios ou novas invasões.

O sexto chacra do Planeta necessita de ajuda. No corpo humano – um sexto chacra bloqueado é sinal de dificuldade de visão espiritual. Se não gostarmos desta palavra, pelo preconceito em relação a ela, usemos qualquer outra. Mas nossa decisão de não vermos nada mais, na Terra, do que o que os sistemas financeiro e econômico permitem é sinal de “Ajna fechado”. Dando lugar para a ignorância e ao intelectualismo racional de fachada excessivo que, no fundo se apóia na guerra e na destruição.

Um Ajna aberto é abertura à intuição. Ninguém pode negar que a situação político-diplomática na região do Kuh-e-Malek é de extrema preocupação. Afeganistão e Iraque invadidos. Paquistão e Índia com bombas atômicas. Irã e Paquistão na lista do próximo replay das manchetes sem contexto. Problemas não resolvidos criados durante a arrogância, a ignorância e o pedantismo da colonização, continuam tão vivos como sempre estiveram. O Kuh-e- Malek está bloqueado. Meditemos no nosso Ajna, para ajudar a desbloquear esse vórtice de energia da Terra.

Isso pode ser feito de qualquer lugar do mundo, de sua casa, de sua cama, da prisão. O que vale são as intenções. Mas a meditação para o Ajna da Terra feita nos lugares de poder como o Lago Titicaca, a Y-Guaçu - Fonte da Neblina Criativa, Planalto Central brasileiro, no Pico da Neblina, na Serra do Roncador é um sinal de solidariedade muito importante. Continuemos circulando a energia do Planeta e conheçamos o sétimo chacra de nossa Terra viva, bela, orgânica e auto-reguladora.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Capítulo 12 - Monte Kailash




Este vídeo (em inglês) lhe ajudará a ter uma idéia do que estamos falando sobre o Monte Sagrado Kailash no Tibete. Adicionado no dia 28 de julho de 2008. Música Avataran de Sahil Suraj Jagtiani.

As alturas do Monte Kailash




O Monte Kailash ou Kailasa é o sétimo chacra do Planeta. É o Sahasrara planetário. Este é o chacra coronário, aquele que sublima todas energias pela qual a Terra entra em contato com as energias superiores do Universo. Aqui é o topo. Assim como a cada metro que subimos em uma montanha, o ar se torna mais rarefeito, do mesmo modo, a cada grau que subimos na circulação dos chacras nos tornamos mais sutis, mais abertos às coisas espirituais.

O Monte Kailash, fica no Tibete e da altura de seus 6.730 metros, é sagrado para quatro grandes religiões da humanidade: o budismo, o hinduismo, o jainismo e o bön po, (religião nativa do Tibete). É também no Monte Kailash e em suas redondezas onde estão as fontes de quatro grandes rios da Terra: o Indus, o Sutlej, o Bramaputra e o Humla Kamali – este último, por sua vez, um dos afluente do rio Ganges – também sagrado.

Para os hindus, o Monte Kailash - que significa “Brilhante como o Cristal” é a morada de Shiva – a suprema divindade. É ainda o símbolo do Monte Meru das lendas e mitos. O monte Meru é o eixo do mundo, a espinha dorsal da terra. O lugar onde aspiram chegar todos os devotos. Para os budistas, o Monte Kailash é o Gang Rinpoche que significa “Preciosa Jóia das Neves Geladas” onde vive Demchog – o Buda da Compaixão de quem o Dalai Lama é a reencarnação.

Já os dois milhões de jainistas, uma religião fundada 600 anos antes de cristo chamam a montanha sagrada de Ashtapada, e acreditam que Rishabanatha, o seu fundador, recebeu a iluminação no topo da Sagrada Ashtapada. Os Bön-po – religião nativa do Tibete - veneram a montanha como “a alma da região”, a montanha da suástica.

É apropriado destacar aqui que o uso do símbolo da suástica pelos nazistas no século passado, foi um caso sério de “roubo” de conceitos e símbolos sagrados de outros povos. A suástica tem sido usada no Oriente como um símbolo de boa sorte e de progresso espiritual. A raiz da palavra é “svasti” em sânscrito que quer dizer bem-estar. Não foi o que a suástica nazista trouxe ao mundo. O uso não-autorizado da suástica, acreditam os povos da suástica, trouxe o contrário para aqueles que dela abusaram e as conseqüências deste mau uso ainda nos perseguem.

Hoje o Monte Kailash está sob o domínio da República Popular da China que adotou um sistema materialista de Governo, que desestimulou qualquer atividade mística, religiosa ou espiritual. O Tibete foi ocupado. Porém mesmo as autoridades chinesas – em um gesto de inteligência – não impediram as peregrinações anuais de hindus, jainistas, budistas, bon-po e esotéricos de todos os países do mundo. Na peregrinação do Monte Kailash, os fiéis dão voltas ao redor da montanha.

Esta volta ao redor da montanha é chamada de “circumambulation”, uma (per)ambulação em circulo e a pé. Os hindus chamam a esta circulação ritual de “parikrama”. Os tibetanos a ela se referem como “kora”. Aos pés do Moute Kailash há um lago, também sagrado. É o lago Manasarovar, considerado o lago de água doce mais alto do mundo, onde os peregrinos das quatro religiões acampam. Aqui vemos uma semelhança com o Lago Titicaca (o lago navegável mais alto do mundo), cercado pelas montanhas sagradas dos Andes.

Sobre o Sagrado Manasarovar, o poeta hindu Kalidasa diz: “Quando o Manasarovar tocar o seu corpo, irás ao paraíso e te libertarás dos pecados de mil nascimentos”. Dos sete chacras do Planeta, o Monte Kailash, Ashtapada ou Kang Rinpoche parece ser o mais protegido devido à quantidade de religiões diferentes que o veneram.

Capítulo 13

Os Chacras Auxiliares



“Eu os ensino a conhecer o milagre
e o mistério da existência,
não a analisá-lo, mas sim a desfrutá-lo,
não a fazer uma teoria deles,
mas transformá-los em uma dança”.

– Osho


No corpo, os chacras têm milhares de pontos de reflexo. Encontramos os sete chacras repetidos no pé, na mão, na cabeça e em um processo cada vez mais complexo em todos os órgãos e partes do corpo. Todos esses pontos, ou pequenos vórtices energéticos estão conectados. Todos são de extrema importância tanto no nosso corpo como no corpo da Terra.

No nosso corpo, esses milhares de pontos energéticos são as linhas e pontos que se trabalha na acupuntura, nas terapias como a massagem ayurvédica e outras práticas curativas trazidas do Oriente. São chamados de chacras secundários. Há pelo menos sete mil pontos de marma. Os nadis são os caminhos sutis que a energia percorrem no corpo. O corpo da Terra funciona da mesma maneira. Os chacras principais tem milhares de pontos secundários onde se refletem. São os chacras secundários ou os marmas do Planeta. E a energia do Planeta, em circulação pelos chacras e marmas, percorre nadis ou caminhos sutis. Vamos continuar conhecendo e descobrindo outros chacras no corpo de Gaia.

Todos esses chacras, marmas e nadis são necessários para manter os corpos em equilíbrio. A tradição esotérica de muitas tendências reconhecem ainda quatro chacras auxiliares principais ligados à regência dos quatro elementos no Planeta. Isto é, cada um rege ou trabalha para equilibrar um dos quatro elementos da Natureza: Terra, Água, Ar e Fogo.

A Montanha da Mesa (Table Mountain em inglês ou Tafelberg em africâner) é o chacra secundário que cuida do elemento Terra do Planeta. A Montanha da Mesa fica na África do Sul, no encontro do grande continente africano com o Mar. Do topo da montanha, se sente a terra firme, sob os pés, como um grandioso presente para a vida. Um sentimento que preenche e ao passo que nos faz sentir pequenos, nos faz sentir uma ligação especial com a terra seca que nos permitiu viver da maneira em que vivemos hoje.

O Lago Rotopounamu Nova Zelândia é o controlador e inspirador do elemento água. A Nova Zelândia é um berço de vulcões, picos gelados, florestas e lagos. Lugar de grande atividade geotérmica e, como sempre acontece, um grande ponto de atração de visitantes que buscam as águas quentes, as grandes paisagens e a paz do Local. Muitos não sabem que estão em uma região sagrada para os Maoris – os habitantes da ilha que já estavam lá quando os europeus chegaram. O fascínio da região são os vulcões e sua capacidade de criar água através do fogo.
A Grande Pirâmide e o Monte das Oliveiras são, em conjunto, responsáveis pelo equilíbrio do elemento ar. Aqui vemos a importância da Grande Pirâmide – que além de ser o quinto chacra principal é também um chacra auxiliar associado com o elemento “ar”. Desta vez, junto com o Monte das Oliveiras local indiscutivelmente sagrado para os cristãos. Foi lá no Monte das Oliveiras que Jesus fez um dos mais brilhantes pronunciamentos da humanidade: o Sermão da Montanha. O sermão da bem-aventurança.

Por fim, a cratera do Vulcão Haleakala, no Havaí é o chacra regente do elemento fogo. O oceano pacífico é muito interessante. Sua forma inspira um mistério. É a região de grandes expansões de água do Planeta. Em algum lugar, lá embaixo, teria existido a Lemúria. As águas do pacífico se encontram com a terra na forma de um grande arco. E segundo Adama, sumo sacerdote de Telos – umas das cidades de mistério, um novo e enorme vórtice de energia está se formando no oceano Pacífico. E na terra que margeia este grande oceano encontra-se planetário “anel de fogo” de vulcões que do Chile se estende até o Alasca, ao Japão, à Indonésia, à Nova Zelândia, ao Havaí, à Rapa Nui (Ilha de Páscoa), a Galápagos, América Central. O Haleakala, com sua cratera de 829 metros de profundidade é hoje, coincidentemente, protegido pelo Parque Nacional de Haleakala, na Ilha havaiana de Maui. Dizemos coincidentemente, para destacar o fato de que a antiga categoria dos Lugares Sagrados sempre coincide com as mais modernas categorias de Parques Nacionais ou Patrimônios Mundiais.

Como já vimos até aqui, nossa lista de Lugares Sagrados da Terra estão aumentando. Já não estamos chocados em saber que os chacras principais são sete. Sabemos que há também a categoria das montanhas misteriosas que são sete segundo a tradição esotérica, religiosa que estamos acompanhando. Mas sabemos também que existem milhares de outros lugares sagrados que pertencem a todas as religiões, movimentos e formas de espiritualidade.

O Monte Sião e o Monte Horebe são sagrados para cristãos e judeus. Temos milhares de templos, monastérios, igrejas, mesquitas, lugares de peregrinação, caminhos como o de Santiago de Compostela, catedrais, parques nacionais, patrimônios da humanidade e outros lugares que apontam para a mesma necessidade: a de considerar a existência de valores que transcendem o materialismo.

Antes de concentramos nossa atenção nas Cataratas do Iguaçu como um lugar Sagrado de Paz e Poder e sua relação com o sistema planetário de chacras, acrescentaremos, embora de maneira breve, uma visão geral desse sistema planetário de renovação, elevação, concentração e distribuição de energia. Nos referimos a um sistema de vórtices extremamente fortes que cobre o Planeta e que está ligado à constituição física da Terra. Em linguagem simples são as cordas com as quais o corpo da terra está embrulhado. As forças que mantêm tudo em seu lugar. Estamos falando das energias cósmicas físicas da Terra ligadas às suas forças geológicas.

É o que se chama de grade energética global que está por trás das forças que controlam o sistema tectônico planetário. A grade energética do Planeta – um emaranhado geométrico de linhas e pontos e também dos locais onde essas linhas se encontram está fora da ambição deste pequeno livro que se propõe, somente, a reafirmar a Fonte da Neblina Criativa como um Lugar Sagrado de Paz e Poder e como parte de uma grande família de lugares especiais e pertencentes a toda a humanidade. A grade energética é um assunto que atrai místicos, cientistas, geomancistas, geólogos, ufólogos e outros interessados. Porém para dar uma idéia do sistema planetário de linhas ligadas ao sistema energético físico do Planeta, reproduzimos aqui um mapa resultado de anos de pesquisa da dupla de cientistas Bethe Hagens e William Becker. Vale acrescentar que este é outro domínio.
Todos os chacras que estamos falando aqui tratam da relação energética da Terra conosco – e conosco aqui significa nós, as árvores, os animais e tudo que é parte da vida orgânica da Terra ou de Gaia. Já a realidade da terra com sua enormes forças naturais, pode ser outra e a Terra pode ter, do seu ponto de vista, outros sistemas de chacras. Assim como nós podemos tê-los e ainda não os conhecermos.



Nota: Ver mapas da grade energética nos seguintes sites (inglês):
Crystal Links
Um site de pesquisa sobre geração de modelos
Este site sobre vórtices que tem mapas da grade energética e tem novidades técnicas como o Google Earth!
Leia este artigo canalizado por Luis Prada sobre as redes (no sentido de grades) Planetarias
Por fim veja ( e escute) este outro texto sobre outra especie de rede

Capítulo 14

Cataratas do Iguaçu


“Todo rio traz mensagem de prosperidade; toda cachoeira traz abundância, renovação permanente, desde que o espírito siga o rio, em seu exemplo, e sua mensagem de fonte irradiante”

– Kaka Werá Jecupé



A Fonte da Neblina Criativa é um poderoso chacra secundário do Planeta Terra. Na Fonte da Neblina, a água, a floresta, a fauna, o vento, o trovão, as rochas, o relâmpago, o verde de suas bordas e você – representam diferentes formas de energias ou campos de consciência que se inter-relacionam, interagem e contribuem para a dança cósmica que é o que chamamos de Vida.

Não deixemos que o preconceito causado pela limitação da linguagem, nos faça ter idéias pejorativas concernente a palavra “secundário”. Chacra secundário não quer dizer “de segunda categoria”. Na visão de corpo que admite a existência de chacras, os secundários estão conectados aos principais e podem ser responsáveis por milhares de outros pontos ligados a eles. Assim, o chacra da terra conhecido como Y-Guaçu – está ligado a todos os chacras principais e secundários do Planeta, à grade energética do Planeta e ao cosmo – pois a terra não é um planeta isolado. Ela pertence a uma família de planetas que, por sua vez, pertencem a um sistema solar, que pertence a uma galáxia que, finalmente, pertence a um sistema de galáxias. E assim de maneira expansiva até onde não conseguimos mais visualizar.

Estamos ligados energeticamente ao Lago Titicaca, a Machu Picchu, ao Pantanal, à desembocadura do Amazonas, ao Planalto Central brasileiro, ao pampa, às punas, yungas e páramos sagrados, ao maravilhoso corredor de vulcões – centenas deles – que pontilham a sagrada Cordilheira dos Andes desde a Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, a América Central, Caribe atingindo os Estados Unidos, Canadá e Alasca. Os vulcões continuam por todo o Planeta, pelo oceano Pacífico, pela Ásia, África, Europa. Esses chacras se espalham por todo o Planeta.

Assim podemos começar a formar uma visão da Fonte da Neblina Criativa como parte de uma totalidade e não como um acidente geográfico que serve para “dividir” ou marcar a fronteira de dois países sul-americanos. É a Y-Guaçu não-órfã. É a Y-guazu que tem irmãos e irmãs em todo o Planeta e no universo com quem se comunica, a quem afeta e por quem é afetada. Assim os buscadores da Paz e do Poder espiritual e pessoal que hoje encontram pouso e guarida no Monte Shasta ou em Uluru kattjuta, em Glastonbury ou no Lago Titicaca podem ter certeza que a Y-guaçu secreta e sagrada é parte desse todo, dessa família. Assim como em Ulluro há Tjukurpa e canto, em Y-guaçu há neblina, amor e hino.

Um dos principais problemas para Y-Guaçu é que esta Fonte da Neblina ainda não foi reconhecida pelos cidadãos dos países guardiões e das comunidades circundantes desta Fonte, como um Lugar Sagrado. As comunidades locais ainda não foram motivadas a honrá-la, revalidá-la, reivindicá-la como um Lugar Sagrado de Paz e Poder. Então como esperar que o mundo se dê conta de sua sacralidade? O motivo desta não revalidação por parte das populações locais é o véu de Maya que nos manteve ocupados durante a curta história européia da região. Maya é a bela deusa das necessárias energias ilusórias. As preocupações diárias, a sobrevivência, a construção de patrimônio manteve a todos com olhos cobertos por trás de seu denso véu. Mas agora chegou a hora de tentar olhar através do véu da bela deusa que nos mantêm iludidos.

Os cidadãos dos países guardiões de Y-Guaçu se iludiram. Quando muito Y-Guaçu é considerada uma bela paisagem. Para outros, uma simples atração de e para turistas. Assim como o mel é uma atração para abelhas. E assim a Y-Guaçu que realmente é, foi esquecida. Não é vivida. É vista com olhos emprestados. Expulsaram dela todo o sagrado para fabricar, em cima dela, uma coisa artificial. Graças à violenta história da colonização, os guaranis que a sacralizaram, foram expulsos da Terra.

Até a “Lenda das Cataratas”, contada para turistas, no lado brasileiro de Y-Guaçu assegurou a missão de tirar o povo guarani de circulação – até mesmo da circulação da “lembrança” coletiva. Na Lenda, a bela índia Naipi e o heróico índio Tarobá são kaingangs. Diz a lenda que os índios kaingangs viviam nas Cataratas do Iguaçu. Coisa negada pelos próprios kaingangs – que sempre ocuparam a área dos campos de Guarapuava. Uma área conhecida na língua Kaingang como Koran-bang-rê. Mas não existe crime perfeito. A lenda supostamente kaingang, deixa descoberta sua debilidade, ao dar, ao suposto deus-serpente kaingang, um nome guarani: M’boi. Por que uma tribo kaingang daria um nome guarani a uma divindade sua?

A mesma versão adaptada para o consumo no lado argentino da “fronteira”, afirma que o casal heróico é guarani. Como é possível que os moradores das Cataratas do Iguaçu fossem kaingangs no lado brasileiro e guaranis no lado argentino? A ilusão causada por Maya não nos permite sequer ver as coisas em um contexto histórico. Estamos atribuindo a visão de 100 anos a um ambiente de milhares de anos. Nesta visão distorcida, o rio é um elemento de separação. Se hoje o rio separa argentinos e brasileiros, então ele sempre separou alguma coisa ou alguém. Daí a necessidade de criarmos a fronteira kaingang-guarani. É um esforço de dizer que a fronteira sempre existiu. É não poder definir quem chegou primeiro o rio ou nossos jovens países de criação tão recente. Este já é um passo importante para aviltar a “lembrança” da qual as Cataratas são a fonte. Para aviltar o rio e mundo natural.

A sacralidade de Y-Guaçu esta aí. No ar. No éter. Para reivindicar esta sacralidade para a região é necessário resgatar o guarani e sua lembrança. Sua cultura. O canto sagrado. O que significa, resgatar com o coração, as Cataratas do Iguaçu como um lugar de Paz e Poder – um chacra da terra, um vórtice poderoso de energia. Não somente como um lugar turístico. Uma fonte de dinheiro. Um playground desligado da realidade. Uma espécie de disneilândia natural. Este uso é um insulto. Mesmo que seja recomendado por especialistas e sacerdotes das ciências reducionistas ou pelas autoridades da chamada “proteção ambiental”.

A Fonte da Neblina Criativa, as Sagradas Cataratas do Iguaçu, bem como o rio Iguaçu, correm perigo. Estão ameaçados. Não só pelo abuso de certas explorações turísticas bem como outros usos mais perigosos. Sobre as Cataratas do Iguaçu e o rio Iguaçu pende a ameaça de construção de mais hidrelétricas ou de canais de desvio de água para suprir a reservatórios de hidrelétricas que podem, um dia, comprometer o suprimento de água para a Fonte da Neblina Criativa.
Isso já acontece. Os níveis de água que chegam às Cataratas já não são os mesmos que a Natureza de Gaia auto-regulou ou instituiu há milênios. O rio Iguaçu está doente embora as Cataratas sejam um grande esforço dele, em concluir sua viagem com um espetáculo. Há uma ameaça para a Neblina das Cataratas. Quando a Neblina Criativa das Cataratas acabarem, nós desaparecemos. Eis uma profecia local similar à profecia dos índios Shastas sobre a Neve do Monte Shasta.

Capítulo 15

Y-Guaçu e seus irmãos e irmãs

“Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar,
en el valle, en la montaña, en la pampa y en el mar”...

Mercedes Sosa


Se tivermos um mapa da América do Sul em mãos seria interessante fazer esta pequena experiência. Primeiro, encontremos a cidade de La Paz, na atual República da Bolívia. Subindo um pouco para o norte, vamos encontrar o limite sul do Lago Titicaca. Agora, desviemos os olhos para o Leste do mapa, e encontremos a cidade de Brasília, na igualmente jovem República do Brasil. Tracemos uma linha reta entre o Lago Titicaca e Brasília.

Agora, olhemos diretamente para o norte da América do Sul e encontremos a cidade brasileira de Manaus – capital do Estado do Amazonas – um dos estados da comunidade brasileira de povos. Tracemos agora uma linha, da extremidade do lago Titicaca até Manaus. E em seguida, tracemos outra linha, de Brasília a Manaus. Se tudo tiver dado certo, a figura que teremos será uma pirâmide. Ou uma figura piramidal. Neste momento, deixemos a nossa pirâmide em paz.

Nosso próximo passo é encontrar no mapa a região do Y-guaçu. Não importa que seja Ciudad del Este (Paraguai), Ciudad de Iguazu (Argentina) ou Foz do Iguaçu (Brasil). Tracemos uma linha reta de Brasília ao Y-guaçu. É importante que enquanto continuemos traçando linhas no papel, permitamos que estas linhas também sejam traçadas em nossos corações. A extremidade da linha que estiver no Y-guaçu deve ser, desta vez, unida à extremidade do lago Titicaca, na Bolívia. Temos aí uma forma piramidal da família do triângulo. Mas continuemos o exercício.

Agora encontremos Santiago, no Chile e tracemos, uma linha reta, entre a extremidade Y-guaçu e a Cidade de Santiago. De Santiago, dirija a sua linha para o Lago Titicaca – o Umbigo do Mundo. Temos mais uma pirâmide. Dentro desta pirâmide, está grande parte do potencial humano, turístico, cultural, eco-espiritual, eco-psicológico, religioso, místico do Paraguai, Argentina e Chile que fazem contato com a região sagrada da Y-guaçu – Fonte da Neblina Criativa. No que se refere à Argentina, aqui se encontram lugares de nomes musicais que escondem grandes segredos e grandes belezas: Chaco, Santiago del Estero, La Rioja, Catamarca, Tucumán, Salta, Jujuy e Formosa. Picos nevados, as maiores alturas das Américas, ruínas de povos e pucarás de povos antigos, vales, montanhas, fauna localizada como o condor. Toda esta terra esconde milhares de lugares sagrados dos primeiros povos das Américas. Ainda hoje nas localidades de Amaicha del Valle, Tucumán (Argentina) e Isluga no Chile se celebra a festa da Pachamama – a Mãe Terra.



Na primeira Pirâmide temos montanhas andinas com centenas de lugares sagrados, vulcões, floresta amazônica, cerrados, grandes rios, ruínas incas, aimarás, o encontro do rio Negro com o rio Solimões e outras grandes manifestações do corpo de Gaia.

Na segunda pirâmide, a que liga Y-guaçu a Brasília e ao Lago Titicaca, temos Y-Guaçu – que nesta grafia queremos destacar a água como elemento principal, temos cerrados, as serras de Piraputanga e Bodoquena e outras serras, o Pantanal, florestas, o chaco paraguaio, grandes rios, santuários católicos como o da Virgem de Caacupé, no Paraguai, as ruínas jesuíticas – hoje patrimônio da humanidade, planícies, enormes montanhas, mais vulcões e outras manifestações do corpo de Gaia.

Na terceira pirâmide a que liga Y-guaçu a Santiago e ao Lago Titicaca, temos grandes áreas de Mata Atlântica, o chaco paraguaio e argentino, montanhas, vulcões, picos nevados como o Aconcagua. A maioria destes lugares hospedam Lugares Sagrados tanto pré-colombianos (ou pré-colombinos) como lugares sagrados para católicos e seguidores de maneiras sincréticas de catolicismo. É a grande família de lugares sem fronteira, a qual, Y-Guaçu, a fonte da Neblina Criativa, pertence.

Isto não quer dizer que o que estiver fora desta pirâmide não seja alvo de nossa consideração. Podemos continuar traçando linhas até chegarmos a uma versão pessoal da “grade energética mundial” que aparece neste livro. São milhares de lugares sagrados pois a terra toda é sagrada.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Capítulo 16

Bem vindo à Agartha

“Bem-vindo aos nossos domínios, almirante.
Nós te deixamos entrar aqui, porque és uma pessoa de bom caráter, e muito conhecida no mundo da superfície.
– Mundo da superfície?
– Sim, responde o mestre. Você está nos domínios dos Arianni. O mundo interior da terra” [1]


Milhares de pessoas no mundo acreditam na existência de uma civilização espiritualmente avançada que vive em um mundo subterrâneo, dentro das partes ocas da Terra. Um desses mundos subterrâneos se chama Agartha. A capital de Agartha é Shambala. E Shambala é parte de uma grande tradição de origem bon-po, budista tibetana e tântrica. Segundo a tradição de Agartha, existem sete entradas no Planeta que dão acesso a este misterioso mundo habitado por seres altamente desenvolvidos. Das sete entradas, três estão perto de nós.

As Cataratas do Iguaçu – é uma delas. A segunda entrada para o mundo de Agartha está no Mato Grosso. E a terceira em Manaus. As Cataratas do Iguaçu – para este livro, a Sagrada Fonte da Neblina Criativa, é a entrada que mais facilmente pode ser identificada. Como sabemos, o que chamamos hoje de Mato Grosso corresponde a dois estados da federação de brasileiros. Mas o Mato Grosso de Agartha pode ir além desses dois estados e incluir o que chamamos de estados de Goiás e Tocantins e parte de Rondônia (lembremo-nos que originalmente, o que os portugueses chamaram de Mato Grosso era a atual Rondônia. Mato Grosso se referia à Floresta de Árvores grandes – mato grosso para os portugueses).

Todos sabemos que esta extensa região chamada de Mato Grosso é mágica. A partir do atual estado de Mato Grosso do Sul, o subsolo é uma enorme província de cavernas. O extenso Mato Grosso é uma região de mistérios, de lendas, de aparições, onde há uma abundância de grupos que se empenham em cultuar estes mistérios. Algumas destas cavernas são conhecidas e exploradas turisticamente como o caso daquelas que ficam nas Serras da Bodoquena onde estão as cidades de Bonito, Bodoquena, Jardim, e Guia Lopes da Fronteira entre outras. Outras cavernas são exploradas por maneiras mais agressivas de indústrias o que é o caso de fábricas de cimento como na Serra da Bodoquena e mineração no Morro do Urucum (MS) ou Serra dos Carajás. Toda a região deste Mato Grosso extenso contém não só uma mas, talvez, muitas entradas para Agartha.

A mesma coisa acontece com Manaus. A Manaus de Agartha pode não se reduzir aos limites do atual município de Manaus. Pode incluir também a região do atual estado de Roraima e as formações encantadas do Planalto da Guiana. Vale deixar claro aqui que Guiana não é só o nome de uma das repúblicas da América do Sul. É o nome de uma misteriosa e bela formação de rochas que unifica, como em um abraço, parte dos territórios Venezuela, Brasil e Guiana. A Manaus de Agartha pode incluir ainda toda a misteriosa região dos muitos rios – a Amazônia, onde não faltam lendas e mitos que também dão conta de mundos e civilizações subterrâneas e subaquáticos.

A lenda do Boto Cor de Rosa é uma destas “lembranças”. Na imaginação popular, os botos são uma raça de gente que vive em cidades no fundo do Rio Amazonas e de outros rios e lagos desta “Manaus”. Os botos necessitam vir à terra, e se misturarem com humanos de vez em quando. Geralmente o encontro termina em uma espécie de abdução quando humanos são levados para ajudar na reprodução da raça. O lugar preferido, pelo botos, para suas abduções são as festas em pequenas comunidades. O boto aparece como um homem educado, conquista a moça que lhe interessa e some.
Há casos, conta-se, de botos fêmeas, aparecerem a pescadores masculinos e também realizarem seus seqüestros amorosos.

Para evitar isso, os moradores sempre desconfiam de pessoas que aparecem de repente. Uma das técnicas de decidir se as pessoas são botos ou gente, é encontrar uma maneira de tirar-lhe o chapéu. Se no topo da cabeça, houver um buraco, o visitante é um boto. Ao transformar-se em humano o boto não consegue esconder o buraco que utiliza para respirar. Nas lendas modernas do Amazonas, há muitos relatos de turistas brancos ou loiros que após uma demorada exposição ao sol não são recebidos por comunidades caboclas ou índias. O motivo é que há muita possibilidade de que gente cor-de-rosa seja, na realidade, um boto disfarçado de “turista”. Os botos são uma lembrança da existência de Agartha.

As lendas que denunciam a existência de mundos subterrâneos também abundam em muitas tribos indígenas brasileiras. As Cataratas do Iguaçu, a Fonte da Neblina Criativa, na oitava dimensão, leva a esta extensa Agartha. A porta de entrada à Agartha via Y-guaçu se encontra no local que, de maneira estranha, recebeu o nome “Garganta do Diabo”. É muito triste que este nome tenha sido dado ao Portal de Agartha. Mas há centenas de portões menores pelos quais se pode entrar à Argatha. Desta maneira, as Cataratas, em sua totalidade são um portão de entrada para uma dimensão de seres altamente desenvolvidos, para uma multi-dimensionalidade além dos sentidos escravizados. Mais uma razão de ser este um Lugar Sagrado de Paz e Poder.

Mas as Cataratas não são simplesmente uma “porta”. É um portal que se abre para outras dimensões. Assim como acontece com o Monte Shasta, com o Lago Titicaca, com Uluro Kattjuta, Glastonbury e Avalon, a Grande Pirâmide, com o Kuh-e-Malek Siah e com o Monte Kailash. É também o que acontece em milhares de outros lugares do Planeta. Esses portais conectam nossas comunidades na dimensão em que vivemos com grandes comunidades de outras dimensões vivendo em templos, ou catedrais, cidades de luz ligados à hierarquia espiritual. O coração deste portal, Nas Cataratas do Iguaçu está no local chamado por “aquele nome”, e é cristalino. Há cristais imensos que formam esse centro de energia cujo brilho pode ser visto por qualquer pessoa que se permita ver. Há relatos de pessoas que, durante o passeio de barco que ocorre aos pés das Cataratas, viram esse grande clarão cristalino e saíram maravilhadas. Geralmente essas pessoas contam a visão a companheiros de viagem que os descartam de maneira abrupta. Tacham-nos de loucos.

Vista por esses olhos da multi-dimensionalidade deste mundo sem fronteiras, entre o que se pode ver e o que não se pode ver, notamos que de Y-guaçu a Brasília, de Brasília ao Titicaca, do Titicaca a Manaus, de Y-guaçu a Santiago, a Córdoba, Mendoza, Tucumán, Salta e Jujuy e deste lugares destacados a milhares de outros no continente sul-americano e fora dele, tudo está energética e espiritualmente conectado. O problema reside em fazer a separação entre a maneira reducionista ocidental de ver e as muitas outras possibilidades de enxergar.

Tomemos Brasília como um exemplo. Para os brasileiros cansados com as manipulações políticas, Brasília nada mais é que um centro nacional de corrupção onde o sofrimento brasileiro é oficializado. Mas a terra onde Brasília foi construída não tem nada a ver com essa tendência patológica da civilização construída sobre ela. Brasília está no cerrado do Planalto Central brasileiro – no centro geodésico do Brasil, um lugar cujas energias naturais são de elevação. Por isso abundam em Brasília, e regiões circunvizinhas, os templos de todas as religiões. Templos abertos a todas as religiões, como o Templo da Boa Vontade, em forma de pirâmide, a Cidade Eclética, o Vale do Amanhecer e movimentos holísticos como a Cidade da Paz. Até a pedra fundamental da cidade lançada em 1922, foi colocada em um local simbólico que é considerado hoje como o “Chacra cardíaco do Brasil”.

Mais do que sua arquitetura, o que chama a atenção de Brasília é a história de seu sonho. Talvez Brasília tenha sido a cidade mais sonhada do mundo. Uma cidade literalmente feita de sonhos. A cidade inaugurada em 1960, e autônoma desde 1990, está na cabeça dos brasileiros desde 1750. Foi nesta época que o cartógrafo Franscisco Tossi apontou a área como propícia para sediar uma futura capital do país. Até o nome Brasília não nasceu da cabeça do presidente Juscelino Kubistschek. O nome Brasília foi proposto pela primeira vez em 1823 por José Bonifácio então membro da Assembléia Constituinte. Lembremos que o Brasil só se tornaria uma República em 1889.

O sonho de Brasília é literalmente um sonho e extrapola as fronteiras nacionais. Uma das coisas que as crianças de Brasília e do Distrito Federal aprendem, na escola, é o sonho histórico do padre italiano Dom Giovanni (João) Bosco, hoje santo católico – fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, cujos membros são conhecidos como padres Salesianos. Dom Bosco sonhou e divulgou seu sonho no qual ele viu o nascimento de uma nova civilização que nasceria em uma cidade a ser construída entre os paralelos 15 e 20 graus de latitude Sul. Sobre a região vista no sonho-visão, Dom Bosco disse: “Eu enxergava dentro das profundezas das montanhas e das reentrâncias das planícies. Tinha sob os olhos as riquezas incomparáveis destes países, as quais um dia serão descobertas”.

Juscelino Kubistchek realizou o sonho. Hoje Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade e embora o sonho ande soterrado, na maioria da população, a cidade é especial. Em algum lugar debaixo dela, ou de sua imensa área de influência, está a cidade de “Posid” remanescente de Atlântida. É o que acreditam os povos que buscam o mundo de Agartha.

Notemos que este conceito de Lugares subterrâneos ligados aos locais sagrados é mundial. Entradas secretas para Agartha, Shambala e outras cidades são descritas pelas tradições em muitos locais da Índia, Tibete, Mongólia, Região Autônoma dos Uigurs (Mongólia/China) e muitas outras. O Monte Shasta também abriga um mundo subterrâneo ligado ao antigo, quase mítico, continente da Lemúria. Um continente destruído, assim como a lendária Atlântida, provavelmente pelo abuso da tecnologia.

Outra lenda diz que quando a Lemúria estava afundando, um dos Sete Grandes Mestres da Lemúria, chamado Aramu Muru, que hoje vive no Monte Shasta, recebeu a missão de transportar o Disco Solar Dourado do Templo da Iluminação para o Lago Titicaca. Durante a época do domínio Inca, o Disco Solar foi transferido para Cuzco e colocado no Qorikancha – o principal Templo do Sol, onde permaneceu até a chegada dos espanhóis. Com o perigo imediato, o Disco Solar foi levado de volta para uma cidade chamada Paititi, que fica no fundo do Lago Titicaca. As comunidades parte da rede esotérica mundial afirmam que o Portal do Lago Titicaca foi reaberto em 1997 e desde então está em funcionamento junto com o seu disco solar.

Para concluir este capítulo, citamos os nomes de outras entradas à Agartha localizadas no Planeta: as Cavernas Mammoth no estado de Kentucky (EUA), Manaus, Mato Grosso (Brasil), Cataratas do Iguaçu (Argentina, Brasil), Monte Eporneo (Itália) e Pirâmide de Giza (Egito). Duas outras entradas, são as, em si lendárias Minas do Rei Salomão e das cavernas de Dero. Nos próximos três capítulos, nos dedicaremos a explorar o mundo de nossa realidade. Será a realidade tão real como parece?



[1] Diálogo do livro “A Flight to the Land beyond the North Pole” (Um vôo a uma terra além do Polo Norte) que conta a aventura do almirante Richard E. Byrd da Marinha dos EUA, em 1947. Ed. Inner Light Publications, Box 753, New Brunswick, NJ 089093

Capítulo 17



Uma questão de foco



“La telaraña del tiempo es la misma en todas partes dijo el maestro Cristaldo.
Cuando el ala de un pájaro roza un hilo al otro lado del mundo, todo el tejido del tiempo se mueve. Siente el aleteo de la vida. Percibe el latido del universo”

– Augusto Roa Bastos
(Escritor paraguaio)




Maya ou Mahamaya
[1] é a deusa da ilusão. É a energia ilusória segundo a visão védica da vida. Maya está presente em toda parte e é ela quem não permite que tenhamos uma visão da realidade estonteante. Maya joga seu véu sobre todas as coisas de modo que o que vemos são aspectos da realidade universal através de lentes ilusórias e distorcidas. Isso não quer dizer que, na Índia, onde a idéia de Maya foi concebida, seja odiada, evitada ou perseguida. Maya é parte do grande jogo da vida – jogo no sentido lúdico, brincadeira. É por causa da ilusão de Maya que nós consideramos como reais coisas absurdas: racismo (há quem mate por ele), materialismo como forma de vida, superioridade do homem sobre a mulher e outras crenças arraigadas. Os hindus, os budistas, os taoístas e povos nativos de todos os continentes têm a idéia ou noção de Maya. O índios da América do Sul também. Os Mbyá-guaranis acreditam que tudo o que vemos ao nosso redor é só um reflexo das coisas, seres e experiências de um mundo real que existe em um dos sete paraísos criados por Nhamandú.

Mahamaya, a bela Deusa das Energias Ilusórias, faz com que tenhamos visões fora de foco de tudo o que percebemos. No caso da Fonte da Neblina Criativa há quem nela só enxergue recursos hidráulicos, não aproveitados. Outros como um atrativo turístico. Em tempos passados, como um empecilho para a navegação. Muita gente como um lugar ideal para a construção de uma Disneylândia. Mas muitos a vêem como um santuário, um templo, um lugar sagrado.

Mas apesar do grande domínio sobre nossos modos de percepção, a humanidade tem feito muito progresso no sentido de ampliar a visão. A visão proposta neste livro é a de ver-nos como parte de tudo e tudo como parte de nós mesmos. Esta idéia já foi considerada como perigosa. Em 1600, o filósofo Giordano Bruno fez esta afirmação em público e foi queimado em uma fogueira. Um bom exemplo de como Maya trabalha. Hoje ninguém corre o risco de ser queimado em uma fogueira porque crê que Deus está em tudo e tudo está em Deus. Porém ainda não aceitamos, na prática, que a humanidade é uma só. Não aceitamos que somos irmãos. Pelo contrário, vivemos cada um em sua casa. Em sua propriedade. Em seu país. Dentro de sua cultura. De sua raça. Maya não nos permite ter uma visão de que estamos literalmente no universo. De que não estamos em terra firme. Que o nosso lindo pequeno planeta é móvel e passa o tempo viajando. Que nós somos pequenas partículas microscópicas agarradas à pele da Terra e ao mesmo tempo parte de sua pele.

Mesmo sem sair de casa, cada um de nós viaja 942 milhões de quilômetros por ano. É a viagem que a terra realiza ao redor do Sol. É digno de nota que é a esta viagem que nós damos o nome de ano. Ano é uma palavra que ajuda a entender e esconder a realidade desta viagem. E essa viagem é feita a uma velocidade estonteante: 108 mil quilômetros por hora. Se tivéssemos esta visão clara em nossa mente, todos os homens e mulheres do planeta se veriam como passageiros e viajantes de um mesmo barco, como viajantes do universo. Viajantes cósmicos, segundo esta visão, é o que todos somos.

Além da grande velocidade do Planeta em sua órbita ao redor do Sol, a terra ainda gira em torno de si própria ou do seu próprio eixo. A cada um desse giro nós chamamos “dia”. É um giro feito em 24 horas a uma velocidade de 1.640 quilômetros por hora. Mas isso não é tudo. Além de participarmos da brincadeira de pega-pega, na dança-de- roda da Terra e do Sol, ainda participamos da dança do giro cósmico.

A ordem no universo é girar. É uma dança. Não é só a Terra que dança ao redor do sol. O Sol e toda estrela que vemos (ou não) no “firmamento”, faz uma viagem ao redor do centro da Via Láctea a cada 240 milhões de anos a uma velocidade de 137 milhas por segundo. Nós – quer dizer o Sol com seus planetas e cada estrela do firmamento com seus planetas e estes com seus satélites – completamos menos de 20 destas voltas, ao centro da galáxia, desde que a Terra “nasceu”. Se cada volta dessas for um ano, temos aí um Planeta novinho em folha – uma terra com pouco menos de 20 anos galácticos. Um planeta jovem. Adolescente.

Assim, esse gira-gira, essa dança é uma brincadeira na qual todos participamos e sequer notamos que estamos participando de alguma coisa tão fantástica. Eis a adorável Maya trabalhando. Sabemos disso, hoje, graças à frieza científica e não pela sua beleza poética. Os poetas não se dedicaram a descrever a beleza de nossa situação no universo. Os poetas não fazem ciência e os cientistas não sabem escrever poesia. É Maya de novo!

Em vez disso, graças à Maya, temos uma visão torta de nosso Planeta. Não nos vemos como eternos meninos e meninas que viajam 942 milhões de quilômetro por ano, agarrados ao coro cabeludo de uma bola que brinca de pega-pega com outra bola maior chamada de Sol e que por sua vez persegue nesta eterna brincadeira o centro de uma Galáxia chamada Via Láctea. Não percebemos que esta bola onde moramos no espaço tem um tamanho limite, peso limite, capacidade limite. Dividimos esta bola em países e criamos forças armadas para defendê-los. E fizemos armas de osso, de madeira, de pedra e terminamos fazendo bombas. “Em nome da ‘segurança’ [desses países] já acumulamos o equivalente a 20 toneladas de TNT para cada habitante da Terra”, escreveu Pierre Fluchaire. “Com o que poderíamos destruir tudo, 40 mil vezes”, acrescentou Hubert Reeves.

Os homens – e nos referimos ao masculino – se especializaram em assegurar de que toda beleza seja proibida. A terra é bela. O universo é belo. A Fonte da Neblina Criativa é bela. A infância é bela. A juventude é bela. O amor é belo. Tocar é belo. A velhice é bela. Por isso tudo tem que ser destruído. Em seu lugar, vive-se momentos de glória econômica. Cada bomba produz lucros. E Maya os deixa pensar que são bem sucedidos. A Grande Maya não permite que enxerguemos a realidade do universo além dos sentidos. Mas isso já começa a mudar. É o que veremos nos próximos dois capítulos. A ciência começa a dar passos que nos ajudam a enxergar através do véu da bela Maya.



[1] Maha – Grande, em sânscrito.

Capítulo 18


O Universo é um Fantasma


Se diz que no céu de Indra existe uma rede de pérolas
dispostas de tal maneira que quando se contempla uma,
todas as demais se vêem refletidas nela.
De igual forma, todo objeto deste mundo
não é somente ele [mesmo],
mas encerra em si a todos os demais objetos,
e está de fato em todos os demais objetos.

Sutra hindu



A solidez dos fundamentos teóricos da ciência mecanicista vem sendo minada desde o começo do século 20. Em 1900 o físico alemão Max Planck, apresentou sua teoria dos quanta (quanta é plural de quantum e se refere à menor quantidade que pode existir independentemente; especialmente uma quantidade discreta de radiação eletromagnética. Ou, esta quantidade de energia vista como uma unidade).
[1]

Alberto Einstein apresentou em 1905 vários artigos que revolucionaram o mundo. No primeiro artigo ele propôs a sua Teoria Especial da Relatividade. No segundo, ele apresentou a equação E = MC2 na qual está contido o conceito de que a matéria é uma forma de energia. O terceiro artigo versou sobre os movimentos brownianos e apresentou o conceito de fótons. Os artigos de Einstein significavam que o espaço e o tempo deixaram de ser absolutos e passaram a ser vistos como relativos. A luz deixou de ser vista como partículas e a velocidade da luz passou a ser o limite da velocidade.

Um pouco depois, os físicos fizeram outras descobertas. Descobriram que as partículas atômicas tinham natureza ondulatória e que as unidades subatômicas são sutilmente abstratas. Isto é têm o poder de apresentar-se aos olhos do observador ora como ondas e ora como partículas. Moral da história: o observador pode influenciar o observado. Como se não fosse suficiente, Werner Heisenberg introduzia o princípio da incerteza no qual é impossível saber com exatidão, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade das partículas. Desde então tem havido uma sucessão, em cascata, de descobertas de novos fatos e possibilidades de aplicação dos princípios transformadores do paradigma materialista.

A mais recente destas descobertas veio de Paris, França. Alain Aspect e equipe de físicos nucleares da Universidade de Paris, descobriram que em certas circunstâncias, partículas subatômicas, como os elétrons, são capazes de se comunicarem, entre si, instantaneamente, sem que a distância, entre elas, tenha qualquer influência na comunicação. Não importa se as partículas estão separadas por um metro ou um bilhão de quilômetros. As partículas, em qualquer lugar, parecem saber o que as outras estão fazendo. O elétron de um átomo de carbono na ponta do nariz de uma pessoa qualquer, pode se comunicar instantaneamente com uma partícula do mesmo tipo em qualquer lugar do universo.

Podemos imaginar a velocidade em que uma partícula precisa viajar se a descoberta de Alain Aspect provar ser verdadeira?

Aí reside um ponto importante na discussão dos fundamentos científicos. A teoria de Aspect lançou dúvida sobre o esteio da teoria de Einstein na qual nenhuma comunicação pode viajar acima da velocidade da luz. E há quem diga que dependendo do ponto de vista, a luz pode não ter velocidade nenhuma e tampouco viajar a lugar algum. O que chamamos de velocidade da luz só é real por causa de nossa existência como observadores. O fato de que a luz do sol chegue à terra depois de oito minutos de viagem é uma visão nossa. Talvez, segundo o ponto de vista da luz, ela não se veja viajando para lugar nenhum e tampouco chegando a lugar nenhum.

O conhecido físico da Universidade de Londres, David Bohm, disse que a descoberta de Aspect, “implica que a realidade objetiva não existe e que apesar da aparente solidez do universo, no fundo, ele é um fantasma”. O universo é um holograma gigante esplendidamente detalhado. E o que é um holograma? É muito importante saber a resposta para entender tanto a descoberta de Aspect como o comentário de Bohm.

Dito de maneira simples, um holograma é uma fotografia tridimensional tirada com a ajuda de um raio laser. Para se criar um holograma, o material a ser fotografado deve ser banhado pela luz de um raio laser. O segundo passo é rebater essa primeira luz, com a luz de uma segunda fonte de raio laser. O resultado é o que os cientistas chamam de “padrão de interferência”. A área onde os dois fechos de luz se encontram, é a área que o filme captura. Daí o filme é revelado de acordo com os procedimentos normais.

Quando o filme recém revelado é iluminado por um terceiro fecho de raio laser, a imagem tridimensional do objeto aparece. A olho nu não se vê nada além de linhas escuras e luz borrada. Isto acontece porque o que se vê não é o objeto fotografado mas sim o padrão de interferência operado sobre ele. É como ver uma imagem capturada por uma câmara de televisão fora de foco. A imagem está lá. Mas o que faz a foto-holograma ser especial não é sua tridimensionalidade. O que é importante e revolucionário sobre a foto-holograma é que se alguém pegar essa fotografia e cortá-la ao meio, o resultado não será duas metades da fotografia onde cada metade será uma metade do objeto.

Em vez disso, em cada metade aparecerá a imagem completa. A imagem do todo. Se as metades forem cortadas pela metade, cada parte continuará tendo a imagem completa e assim indefinidamente até chegar-se aos grãos de prata do filme. Resumindo, é daí que vem a afirmação de que “o todo estará em cada parte”. Esta é a natureza do holograma. E esta é a natureza da visão holística do universo, da Terra, da Vida, do corpo.

Bohm acredita que o motivo das partículas subatômicas manterem-se em contato, apesar das grandes distâncias, se deve ao fato de que em algum nível mais profundo da realidade, tais partículas não são entidades individuais. São extensões de um mesmo “algo” fundamental. Para ele, isto faz crer que o universo seja um holograma. Onde tudo é parte de tudo e onde cada partícula contem informação sobre o todo do universo. É como afirmam os hindus: “uma gota do oceano contém todas as propriedades do oceano”.

Ainda nesta linha, o neurofisiologista da Universidade de Stanford (EUA), Karl Pribram, chegou à conclusão de que o cérebro também funciona segundo o modelo do holograma tal qual o universo. Pribram procurava respostas sobre os mecanismos do funcionamento da memória. Nos anos 20, outro cientista estudioso do cérebro, Karl Lashley anunciara que não importa que porção do cérebro de um rato de laboratório ele removesse, não conseguia erradicar a memória do rato em relação à execução de tarefas complexas aprendidas antes da cirurgia.

Inspirado por essas pesquisas e na descoberta do conceito de holograma, Pribram acredita que as memórias não estão codificadas em neurônios ou grupos de neurônios mas sim em padrões de impulsos nervosos. Ele diz: “As descrições matemáticas que fazemos de processos em uma única célula e as ramificações destas células, como elas interagem, nos dá uma descrição similar à descrição de eventos quânticos”.

Ele deduz que “são as interações entre os padrões dos impulsos nervosos que explicam a capacidade de memorização – na ordem de 10 bilhões de bits durante a vida média de uma pessoa”.

Após fazer uma síntese entre o seu modelo holográfico e a teoria de Bohm, Pribram argumenta: “se o aspecto concreto do mundo (o mundo real que vemos) não passa de uma realidade secundária; se o “mundo real” é na realidade um amontoado holográfico de freqüências; se o cérebro é também um holograma que seleciona apenas algumas freqüências deste amontoado, as quais transforma, matematicamente, em percepções sensoriais; então a realidade objetiva não existe ou deixa de existir”.

Se tudo isso for comprovado, a ciência ocidental acaba de descobrir, depois de muitas voltas, a gloriosa Maya, a energia ilusória, a Deusa da Ilusão. Não somos indivíduos concretos, movendo-nos em um mundo concreto. Somos sim receptores flutuantes em um mar caledoscópico de freqüências. A terra que gira em torno de si mesma e ao mesmo tempo corre atrás do Sol é, de alguma maneira, uma ilusão ou sua realidade pode ser outra.

Ou ainda, a Terra que os homens respeitáveis e sérios querem destruir com suas bombas pode não existir tal como eles acreditam. É tudo uma brincadeira de mau gosto mas que terá resultados em níveis ou freqüências que eles não sabem e não podem saber quais são. Em outras palavras, podemos concluir que nós podemos escolher em que acreditar e que sendo assim, poderíamos estar em uma situação muito diferente daquela que temos hoje na nossa “realidade” pessoal, local, nacional, global ou planetária.



[1]The American Heritage® Dictionary of the English Language, Third Edition copyright © 1992 by Houghton Mifflin Company. Electronic version licensed from InfoSoft International, Inc. All rights reserved.

Capítulo 19

Os Métodos de Maya



O Bhagavad Gita, livro sagrado da Índia, conta a conversação entre a manifestação da Suprema personalidade de Deus, Sri Krishna e seu devoto Arjuna, durante a preparação para uma batalha que seria travada em um campo chamado de Kurukshetra. Em certa altura do diálogo em que Krishna ensinava a Arjuna sobre a realidade da vida, o que inclui seu aspecto ilusório, Arjuna pediu a Sri Krishna que se revelasse em toda a sua plenitude, em sua forma universal. Disse Arjuna:

– Se tu crês que sou capaz de ver tua forma cósmica, Ó meu Senhor! Ó amo do poder místico! Então tenha a bondade de mostrar-me esse ilimitado Ser universal
[1]

Krishna se mostrou a Arjuna, diz o Bhagavad Gita, depois de dar-lhe olhos espirituais. Ou outros olhos. E ele viu as expansões ilimitadas do universo, e viu infinidade de bocas, de olhos, de visões maravilhosas, um brilho maior que mil sóis e muitas coisas. Viu também todo o povo que estava em Kurkshetra sendo devorado pelas milhares de bocas. No final Arjuna disse;

– Ó Vishnu onipresente! Ao ver-te com tuas múltiplas cores radiantes...tuas bocas abertas e Teus grandes e deslumbrantes olhos, a mente se perturba pelo temor. Sou incapaz de manter minha estabilidade e meu equilíbrio mental.
[2]

Essa pequena mostra do relato do Bhagavad Gita sobre a experiência de Arjuna é um símbolo da complexidade e da impossibilidade de se entender ou apreender o universo com nossos sentidos. As muitas bocas e os muitos olhos são símbolos do assombro de Arjuna. É uma das maneiras de reafirmar que se pudéssemos ver a realidade do universo por um segundo, ficaríamos, igual a Arjuna: aterrorizados. Sairíamos correndo, ficaríamos loucos, nos implodiríamos, ou não sobreviveríamos à experiência. Daí podemos entender porque os hindus adoram a deusa da Ilusão ou a energia ilusória que nos protege da detonante realidade em que estamos inseridos no universo.

Graças a Maya acreditamos que vemos, que ouvimos, que cheiramos, que tocamos e que fazemos uma multiplicidade de outras coisas. Mas é só engano. Quando olhamos para a Fonte da Neblina Criativa, para o Monte Shasta, ou para um pássaro lindo, ou ainda para uma mulher ou homem bonitos e dizemos, este lugar, ou este pássaro, ou este homem ou está mulher é muito lindo(a), – o que realmente acontece na nossa cabeça? O que acontece quando olhamos? O que é que chamamos ver?

De maneira muito simples o conjunto de coisas que chamamos de “ver” é o seguinte: Primeiro há a luz. A luz refletida das águas, das pedras, das árvores é focada nas células da retina, localizadas no fundo dos olhos. O contato da luz refletida, com as células da retina faz disparar automaticamente uma avalanche de reações químicas. Essas reações liberam um fluxo de elétrons. Os neurônios ligados às células levam esses impulsos eletro-químicos para o córtex visual no cérebro.
Daí, as informações cruas, frias e terrivelmente escuras, que chegam ao cérebro são processadas matematicamente e integradas. Após todo esse processamento, e por meios que a ciência ainda não compreende, a imagem da Fonte da Neblina Criativa, por exemplo, é formada no seu consciente. Então você se arrepia, chora e diz: Estou vendo. Daí você abraça o seu amado ou sua amada e exclama: que coisa maravilhosa! Só Deus pode criar uma coisa tão bela!

Temos a idéia de que estamos percebendo as “Cataratas” no mundo físico, concreto. Na verdade, estamos somente percebendo uma “imagem” formada no silêncio e na escuridão do cérebro. Na realidade, você acabou de criar as “Cataratas” em seu cérebro. Na sua “mente”. No seu espírito. Aquelas “Cataratas” que você viu são suas. Não são as Cataratas de mais ninguém. Como haveremos de ter certeza de que as “Cataratas” que você vê são as mesmas que a pessoa ao seu lado está vendo?

O mesmo acontece com tudo que vemos, escutamos, ouvimos, tocamos e provamos. Tudo, criado, a partir de dados coletados pelos órgãos sensoriais e levados à nossa fábrica de sonhos particular – o cérebro. Por isso os povos primitivos são sábios ao darem tanto valor ao “sonho”. Ou será a mente que cria? Karl Pribram, mencionado anteriormente sobre o modelo holográfico do cérebro, acredita que a mente não existe – ou que pelo menos, ele como neurocientista, não sabe o que ela seja ou onde possa estar alojada, se é que está alojada em alguma parte.

Isso significa que quer aceitemos ou não, o mundo de nossa experiência não está lá fora. Está dentro de nós. Exatamente como os místicos de todas as tradições têm afirmado quando incentivam práticas como a meditação e a introspecção. Estamos falando de duas realidades. Estamos falando da realidade que experimentamos – a nossa imagem particular e cerebral da realidade versus a “realidade em si”, a realidade subjacente – aquela que jaz sob ou que serve como alicerce para a realidade da imagem que temos.

Em outras palavras, não conhecemos a realidade subjacente das Cataratas do Iguaçu ou do Oceano. Muito menos do planeta. Podemos dizer também que, na hora da verdade, não conhecemos a realidade de ninguém e de nada. Aquela pessoa que amamos, que é nossa companheira ou companheiro – nunca a vimos. É um(a) desconhecido(a). Temos dela a imagem que o cérebro formou graças ao contato eletro-químico original da luz refletida com células da retina. Ou das outras informações que o nariz, a língua, as mãos, a pele, os ouvidos conseguem enviar para o nosso misterioso cérebro.

Olhemos em nossa volta e vejamos todas essas árvores com essas maravilhosas folhas verdes. Qual é a realidade dessas árvores? São várias. A primeira, de todas, é que não são verdes. Parecem verde por causa da luz, de várias freqüências, refletidas nas células da retina. Tudo o que chega à mente são os impulsos eletro-químicos – sem cor nenhuma. Todo aquele verde dos Parques Nacionais Iguaçu/Iguazu; da Amazônia, da Selva de Misiones, da Escócia só existe na “mente”. E “mente” aqui pode não passar, segundo Pribram, de “uma área de interferência de padrões entre corpo, cérebro e ambiente”
[3]

Agora que sabemos que a realidade não é tão real como parece, podemos, finalmente, nos preparar para encerrar este livro. Nos resta relembrar a mensagem principal dele: tudo o que existe é sagrado. Isso inclui os oceanos, as montanhas, os rios, os pássaros, o nosso poderoso processador de imagens e informações, sentimentos e pensamentos, este criador de realidades – chamado “cérebro”. Inclui também a toda pessoa que encontramos nas ruas e pelas estradas.

Vimos que não somos observadores estáticos, independentes, solitários, que olhamos para as coisas, lá fora, de maneira neutra. Olhamos e somos olhados. Olhamos para a luz refletida de um objeto e nossos cérebros, traduzem esta luz em imagens em nossas cabeças. Essa imagem é só nossa. É nossa criação. É nossa imagem, com cores, cheiro, texturas, sensações. As Cataratas reais, por trás desta reação, nunca vimos. Nunca veremos, com esses olhos.

Como esta reação eletro-química que está contida no verbo “ver” pode produzir, além de imagens, sensações de amor, paz, tranqüilidade, bem-aventurança, satisfação e alegria? Como o produto final desta reação pode ser a emoção? São mais provas de que você é um criador. É um mistério. Daí, sermos todos místicos. Isto é estamos embabascados pelo mistério. Somos co-criadores. Tudo criação nossa. Então aproveite. Esta é a suprema lição que as Cataratas do Iguaçu, o Monte Shasta, o Lago Titicaca, Uluro Kattjuta, Glastonbury, a Grande Pirâmide, o Monte Kuh e Malek Siah (que a paz chegue sobre ele) o Monte Kailash e todos os Lugares Sagrados de Paz e Poder de todas as religiões nos dão como presente.

Com a lição aprendida com eles, tudo o que temos que fazer, agora, é ir em frente e continuar criando o mundo dentro de nós mesmos pois este é o único que existe. Com a inspiração da Fonte da Neblina Criativa, de Agartha, Avalon, Shambala, Posid, Paititi e de todos os símbolos de grandeza interior saiamos pelo mundo criando os melhores pôr-do-sol, pessoas bonitas e agradáveis, oceanos e montanhas, luas-cheias, parques, amantes, deusas. Criemos o verde, o azul, o amarelo, o vermelho e acabemos com a guerra.

Afinal com quem brigamos? Coloquemos mais cores nos nossos cérebros – quer dizer, no mundo. Recuperemos o Poder da Palavra, do Amor e do Hino ou canto. Participemos na dança cósmica. Recuperemos a consciência da divindade e tragamo-la de volta para o mundo, de hoje.









[1] Bhagavad Gita 11.4 11.5
[2] 11.24
[3] Dados da pesquisa de Karl Pribram foram coletados em entrevistas publicadas em várias fontes. Mas devemos muito ao psicólogo e apresentador de TV Jeffrey Mishlove em seu banco de entrevistas no site www.jeffreymishlove.com.

terça-feira, novembro 14, 2006

Capítulo 20

As Grandes Manifestações

O mundo tem milhares de cachoeiras. Elas são lugares especiais. Porém o Planeta tem poucas grandes cataratas. No momento, só temos três. Y-guaçu, Niagara e Mosi-oa-Tunya. Mosi-wa-Tunya fica na África, na fronteira entre Zâmbia e Zimbábue. O nome significa “A Fumaça que troveja”. E a fumaça aqui se refere à Neblina. Mas fora de Zâmbia e Zimbábue, ninguém sabe que os povos locais, que também reverenciavam suas águas e neblinas, as chamavam assim. Igual a Y-guacu, Mosi oa Tunya não chega a ser um nome próprio, um substantivo. É uma frase. É um elogio. Hoje o mundo conhece a Mosi-ao-Tunya como as Cataratas de Victoria ou Victoria Falls – nome dado por Livingstone para homenagear a rainha do Império Britânico. Por que todas as grandes Cataratas são fronteira?

Já Niagara – um espetáculo da Natureza também foi destinada a servir de fronteira entre dois países. Desta feita, Estados Unidos e Canadá. Ou entre a província de Ontário e o estado de Nova York. Das três, Niagara é a maior vítima da voracidade da economia. Trinta anos antes dos Saltos de Santa Maria do Iguaçu, como as Cataratas do Iguaçu foram chamadas até recentemente, serem declaradas Parque Nacional, as Cataratas do Niagara já estavam ambientalmente depredadas.

A cidade, hoje chamada de Niagara Falls já era industrializada e a maior parte das indústrias estava nas margens das Cataratas – com os esgotos despejando material químico pesado diretamente nas Cataratas. Foi então que o paisagista Frederick Law Olmsted
[1], chegou à região e começou uma luta para salvar a paisagem “do uso não apropriado da área” pela indústria, e começar sua famosa carreira de embelezamento de cidades. Olmsted escreveu que só uma pequena parte das Cataratas era visível para o visitante. A maior parte dela, estava por trás dos muros das indústrias ali localizadas. E os visitantes pagavam aos donos das propriedades para olhá-la através de buracos no muro.

Em 1879, Olmested preparou um relatório para o Estado de Nova York propondo a compra das terras em volta das Cataratas. A meta dele era fazer um trabalho de embelezamento da cidade e resgatar a beleza original das Cataratas. Nasceria, daí, a Reserva Estadual de Niagara e o projeto de embelezamento que ainda se encontra no local.

As Cataratas de Niagara também eram um lugar sagrado para os Sênecas e outras nações indígenas federadas que lutaram para defendê-las. Em 1763, os Sênecas travaram uma batalha com um grupo de soldados ingleses. A batalha terminou quando 80 soldados britânicos, dentro de uma carroça foram atirados às Cataratas. Os historiadores afirmam que mais de 80 soldados morreram ao serem arrojados no “Buraco do Diabo
[2]” – este é o nome equivalente ao “Garganta do Diabo” dado a mais impressionante das manifestações da natureza na fronteira Argentina-Brasil.

O Plano de Olmsted começou a sair do papel em 1887. Um ano antes da chegada do Exercito Imperial brasileiro ao lugar onde um dia existiria Foz do Iguaçu. Treze anos antes de chegar a primeira expedição para conhecer as Cataratas. Na expedição se encontrava Victoria Aguirre que queria ver a possibilidade de trazer turistas para Y-guaçu. Mas foi só em 1927 (onze anos depois do Estado do Paraná ter decretado a área das Cataratas do Iguaçu como Parque estadual
[3]) que Niagara foi declarada Parque Estadual. Mas assim mesmo não toda as Cataratas. O novo parque incluía somente o “Buraco do Diabo” – a área onde os soldados britânicos tinham sido emboscados e mortos pelos Sêneca.

Em 1933, já no programa econômico do presidente Franklin D. Roosevelt, trabalhadores desempregados foram usados para construir parques e obras públicas em estilo de mutirão. Nesta ocasião foram construídos muros de pedras isolando o “Buraco do Diabo”. Em 1962, após a construção da primeira hidrelétrica nas Cataratas, parte dos muros e parte das rochas naturais do Buraco do M’bae Pochy (do coisa raivosa) foi destruída para dar acesso à hidrelétrica e abrir passo para um estrada de quatro mãos.

Em 1997, começaram discussões e pressões de grupos de moradores e ambientalistas para desmanchar a pista de quatro vias. O Governo já aceitou fechar duas delas.
[4] Mas os ambientalistas querem, que todas as vias não sejam só fechadas. Querem que sejam retornadas ao ambiente natural. Isto é com árvores, abelhas, borboletas. Voltando à nossa visão do todo interconectado da ecologia fisiologista e holística do Planeta, vemos aí, que as Cataratas do Niagara como uma importante fonte de energia criadora está ameaçada – ou sempre esteve ameaçada.

O clube das grandes Cataratas é extremamente pequeno. Se, de alguma maneira, como revelam os estudos de Alain Prospect, as partículas subatômicas de um átomo qualquer se comunicam mesmo através de grandes distâncias, não seria um ato de idiotice afirmar, que as Cataratas de Niagara se comunicam com as Cataratas do Iguaçu e com Victória.

Todas as grandes cataratas estão ameaçadas. As ameaças são, em primeiro lugar, as hidrelétricas. Tanto Mosi-oa-Tunyia como Niágara têm hidrelétricas dentro de sua área de influência e de manifestação. Y-Guaçu é a única que sobreviveu à loucura da engenharia e da voracidade econômica no sentido estrito de não ter hidrelétrica. Mas este propósito já existiu. Contudo, as hidrelétricas cercam a Y-Guaçu. O rio Iguaçu, um pequeno rio quando comprado com os rios amazônicos, já tem várias grandes cicatrizes na forma de hidrelétricas acima das Cataratas.

Y-Guaçu está entre a maior Hidrelétrica do Mundo, Itaipu – que consta da lista das “maravilhas do mundo moderno” e de Urugua’ í – um hidrelétrica menor cuja história está envolvida em uma nuvem grossa de mistérios – no mal sentido. É uma hidrelétrica que deu errado. È uma obra de engenharia admirável mas ninguém sabe explicar por que os engenheiros superdimensionaram o Lago da Represa de Urugua’ í de modo que o pequeno rio Urugua’ í nunca conseguiu enchê-lo. Pro isso, a represa que custou cinco vezes mais do que devia é um fracasso.

Hoje, com a ilusória e estratégica “crise energética”, grupos técnicos e financeiros buscam desesperadamente “consertar” o erro de Urugua’ í. E para a imensa tristeza de ambientalistas, e pessoas que tem a visão que este livro quer passar, os técnicos, cientistas, engenheiros e financistas, têm um “grandioso” projeto de cem milhões de dólares, quarenta quilômetros de comprimento e sete metros de largura. É um aqueduto, na forma de túnel, que pretende “emprestar” água do rio Iguaçu, para consertar o escandaloso fracasso de Urugua´í.
Contra a loucura tecnocrática, se levantaram toda espécie de grupos que levam em conta o aspecto ambiental e econômico. Destacaram o provável desastre ambiental na área de introdução de espécies nos ambientes diferentes dos dois rios. A diminuição da água, as conseqüências para o turismo (que morrerá de sede), e outros problemas vistos pela visão técnica, ambiental, científica.

Uma dessas vozes lembra que ninguém entende o mecanismo do rio Iguaçu. Qual é a quantidade mínima de água para que as Cataratas do Iguaçu ainda consigam gerar a “neblina”? Tanto em Y-Guaçu, como em Mosi-ao-Tunya e também Niagara, as neblinas são responsáveis por um micro-clima extremamente localizado que mantêm uma micro-ecologia em funcionamento.
Shone Blore, jornalista que visitou a Y-Guaçu Sagrada escreveu: “São as neblinas que criam o grande segredo escondido na área do Iguaçu – que passam desapercebidas pelos turistas ansiosos em clicar a foto perfeita e seguir viagem. Elas criam um micro-clima, um bolsão de exuberância próxima a de uma floresta pluvial”.

Crescem as vozes ambientalistas que afirmam que a diminuição do nível de água acarretará a diminuição da “Neblina” que por sua vez afetará o exuberante verde que hoje cerca a Y-Guaçu Sagrada – tudo perfeitamente explicável pela ciência.

A irmã africana de Y-Guaçu também fica dentro de um Parque Nacional. Um Parque nacional que é um patrimônio da humanidade. Nos documentos da Unesco que justificam a elevação de Mosi-oa-Tunya à categoria de Patrimônio Natural Mundial, este fenômeno ecológico que os africanos “primitivos” chamam de “Fumaça” e este livro chama de “Neblina”, é mencionado. Diz o documento: “A precipitação anual é de 600 a 700 milímetros por ano, mas a Neblina produzida pelas cataratas é parcialmente responsável pela sustentação da floresta pluvial, no lado oposto das cataratas....”

No fio de pensamento utilizado para tecer este livro, o projeto do túnel e pior ainda, um projeto brasileiro que resiste a morte e insiste na construção de mais uma hidrelétrica no rio Iguaçu, próximo as Cataratas, são vistos como um desrespeito à sacralidade de Y-Guaçu – como um Lugar Sagrado do Planeta. Um lugar sagrado de Paz e Poder que é parte de uma extensa rede de lugares sagrados em toda a terra.

As ameaças aos Lugares Sagrados vêm de todos os lados na forma de projetos de “desenvolvimento”. Muitos desses projetos apoiados pelos órgãos de proteção ambiental. E estes órgãos, por sua vez, apoiados em opiniões e veredictos de especialistas da recente e arrogante ciência supostamente ambiental. Assim vemos com tristeza, que à lista das ameaças podem-se acrescentar os órgãos de proteção ambiental, os especialistas da proteção e gestão ambiental, o turismo e autoridades de todos os níveis.

Isso acontece por causa da visão de um mundo concreto que funciona como uma máquina. E não de um mundo de inumeráveis possibilidades de conexões onde cada parte é parte de uma enorme totalidade. É parte de uma visão onde somos separados e desligados da natureza. Uma visão de vida na terra. Em vez de, como afirma a Elisabet Sahtouris, “vida da terra”.

É a ciência eco-tecnológica que parte de uma ecologia superficial e não de uma ecologia profunda tal como vem sendo proposta pelo cientista Arnes Naes desde 1970. É uma visão estática da vida que não vê que a ciência começa a questionar a mono-visão, a substituição de um clero religioso, por uma classe sacerdotal científica à serviço de grupos e empresas que pagam as contas. Hoje, entram em cena, novas ciências com um foco não só inter-disciplinar ou multi-discliplinar mas transdisciplinar. Onde as disciplinas se dissolvem uma nas outras. Enquanto o sacerdócio da ciência ecológica, decide se faz ou não um túnel ou uma hidrelétrica, o mundo avança a grandes passos para ciências como a ecologia profunda, a ecopsicologia
[5], e para uma ecologia transpessoal – que é a proposta deste livro.

A visão da preservação da natureza como sagrada, de lugares sagrados, de pessoas como reflexos da grande mente cósmica é uma visão de ecologia transpessoal, de uma educação ambiental transpessoal. Não um programa de “educação ambiental” que nos ensina que “vivemos em um ambiente”. Não uma educação ambiental que nos ensina a preservar recursos hoje, para consumir amanhã. Esta é uma educação ambiental fruto de uma ecologia superficial. A ecologia transpessoal ensina que somos parte da terra. Que não somos donos dela. Podemos destruí-la, mas não sabemos consertá-la. Que há inúmeras zonas de interferências a serem levadas em consideração.

Por fim, a ecologia transpessoal coincide com a visão de povos e culturas segundo as quais a Natureza nos afeta profundamente e em vários níveis de nossa realidade consciencial. A natureza nos afeta espiritualmente. Parte da enorme violência do mundo é o resultado de poucas centenas de anos em um experimento anti-natural, liderado pela burocracia tecnocrática. Tudo tem conseqüência. A destruição do planeta nos afeta psicologicamente ou melhor ecopsicologicamente. Os Lugares Sagrados, parques nacionais, florestas, o mar, rios, montanhas, podem nos ajudar ecopsicologicamente. Espiritualmente. Multi-dimensionalmente.





[1] Frederick Law Olmsted (1822 –1903) foi superintendente e um dos projetistas do Central Park de Nova York.
[2] Devil’s Hole em inglês.
[3] Onze anos depois do Estado do Paraná ter decretado a área das Cataratas do Iguaçu como Parque estadual. E 12 anos antes de Iguaçu ser decretado Parque Nacional. Em 1984, o Parque Nacional Iguazu (Misiones, Argentina) foi incorporado à lista do Patrimônio Mundial Natural segundo Convenção da Unesco. O mesmo acontecendo com o Parque Nacional do Iguaçu (Paraná, Brasil) em 1986
[4] Informações do ambientalista Bob Baxter, em carta para o jornal Niagara Gazette, seção Guest View. Edição de 12 de maio de 2002
[5] Várias universidades americanas têm curso no nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado em ecopsicologia. Um destaque é a Universidade da Califórnia. Discussões, estudos e contatos em ecopsicologia são encontrados facilmente na internet. Basta buscar “ecopsychology” em qualquer portal de busca.